HANSENÍASE NA USF PARQUE DO LAGO: DESAFIOS NA DETECÇÃO E PERFIL EPIDEMIOLÓGICO
Resumo
A hanseníase, uma doença transmissível, é um persistente problema de saúde pública no Brasil, refletindo vulnerabilidades sociais e estruturais. Indicadores como a taxa de detecção de novos casos e a presença de incapacidades físicas no diagnóstico evidenciam disparidades regionais1. O Brasil registrou uma taxa geral de detecção de 12,5 casos por 100 mil habitantes em 20232. No entanto, Mato Grosso apresentou uma taxa de 88,9 casos por 100 mil habitantes, classificando a região como hiperendêmica, e Várzea Grande registrou 49,7 casos por 100 mil habitantes no mesmo ano. A proporção de casos novos com grau 2 de
incapacidade física ao diagnóstico em Várzea Grande foi de 9,1%, acima do limite preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é inferior a 5%3. Objetivo: Analisar a situação epidemiológica dos casos de hanseníase atendidos na USF Parque do Lago, Várzea Grande, de 2020 a 2024. Método: Foi realizado um estudo epidemiológico, descritivo e transversal no período de 2020 a 2024. As fontes de dados foram fichas de notificação da Unidade de Saúde da Família Parque do Lago e o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) para dados de Várzea Grande, Mato Grosso e Brasil. O indicador utilizado foi a taxa de detecção de novos casos. Foram analisados 132 casos novos notificados no período , com análise descritiva das variáveis categóricas: sexo, faixa etária e raça. Resultados: De 2020 a 2024, foram notificados 132 casos novos de hanseníase na USF Parque do Lago. A maior concentração de casos ocorreu em 2023 (38,6%). A hanseníase afetou principalmente indivíduos nas faixas etárias de 60-79 anos (33,3%) e 40-59 anos (32,5%). Houve predominância no sexo feminino (59,09% dos casos), o que pode estar relacionado a uma maior busca por atendimento médico por parte das mulheres. A maioria dos casos ocorreu entre indivíduos autodeclarados pardos (62,88%), refletindo possíveis determinantes sociais de saúde, como desigualdades sociais, econômicas e estruturais. A persistência de uma taxa elevada de detecção, associada a uma quantidade significativa de casos com incapacidade física no diagnóstico, indica a transmissão ativa da doença e desafios na identificação correta dos casos. Considerações Finais: A análise revelou um panorama crítico com taxas elevadas e a prevalência da doença em mulheres pardas, de 60 a 79 anos. O estudo permitiu identificar dificuldades no preenchimento correto das fichas de notificação, levando à recomendação de capacitação técnica adequada para os profissionais de saúde, visando melhoria na vigilância
epidemiológica e no acompanhamento dos pacientes.
Palavras-chave: Hanseníase. Vigilância Epidemiológica. Saúde Pública.