ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE DAS DOENÇAS CRÔNICAS NA POPULAÇÃO TRABALHADORA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Resumo
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) representam um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, sendo responsáveis por cerca de 50% das mortes no país.¹ Entre as principais DCNT, destacam-se a hipertensão arterial sistêmica e a Diabetes mellitus, prevalentes em cerca de 27,9% ², e 9,2% da população adulta, respectivamente.3 Dessa forma, a atenção primária à saúde se mostra de extrema importância na prevenção desses agravos pois atua detecção precoce e acompanhamento contínuo da população. Por meio da promoção de saúde e do controle dos fatores de risco, a Atenção Primária de Saúde (APS) contribui para a reduzir complicações e mortalidade, consolidando-se como um pilar essencial para o
enfrentamento das DCNT.4 Objetivo: Relatar a experiência de desenvolver estratégias de prevenção e controle das doenças crônicas na população trabalhadora da atenção primária. Método: Trata-se de um relato de experiência da extensāo curricular dos estudantes de medicina da quarta etapa, que desenvolveram as atividades entre agosto e novembro de 2025 na área de abrangência da Unidade de Saúde da Família (USF) Álvaro Ribeiro da Rocha, no território do Jardim Eldorado, em Várzea Grande – MT, contemplando ações junto à empresa Videplast e à Escola Estadual Professora Elizabeth Maria Bastos Mineiro, em articulação com a comunidade local e as instituições parceiras, utilizando a metodologia da problematização, aplicando palestras sobre temas relacionados a doenças crônicas. Descrição: A população atendida caracterizou-se por trabalhadores de diferentes setores, com elevada carga laboral, estresse, hábitos irregulares e risco para DCNT e transtornos mentais, evidenciando a necessidade de ações de promoção da saúde e prevenção. Uma das estratégias foi realizar a coleta da citopatologia oncótica e exame clínico das mamas na unidade de saúde, promover palestras na campanha de setembro amarelo, outubro rosa e novembro azul na empresa e escola, além disso foram monitoradas a pressão arterial e glicemia capilar e realizado orientações individualizadas dos trabalhadores. As ações extensionistas fortaleceram a APS no enfrentamento das DCNT, ampliando conhecimento sobre saúde, identificando fatores de risco e promovendo vínculo entre trabalhadores, estudantes e serviços. Do ponto de vista acadêmico, a experiência permitiu aos estudantes vivenciar, de forma ativa e crítica, a complexidade do território e o papel da APS no enfrentamento das DCNT. Através da coleta de dados, da comunicação efetiva com diferentes públicos, da realização de procedimentos clínicos sob supervisão e do desenvolvimento de atividades pedagógicas, os acadêmicos puderam consolidar competências essenciais para a formação médica, compreendendo que a prevenção é construída diariamente, de maneira multidimensional e intersetorial. Considerações finais: A extensão curricular demonstrou que a prevenção de DCNT exige ações contínuas, intersetoriais e educativas, impactando positivamente a percepção de saúde da comunidade trabalhadora, que evidenciou anseio por conhecimento em saúde, expondo dúvidas pertinentes sobre temas sensíveis como câncer de próstata, evidenciando a ótica do trabalhador acerca da saúde do homem. Também contribuiu para a formação crítica e humanizada dos acadêmicos, reafirmando o papel social da extensão universitária.
Palavras-chave: Doença crônica; Atenção primária à saúde; Estratégias de saúde.